Em nome do bom debate

Publicado: 23/08/2010 em Política em Minas Gerais
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Quando se faz política, deve-se ficar bastante atento para não se cometer injustiças. Digo isso por ser esta uma área eminentemente humana. Por isso é fascinante, pois robôs jamais substituirão o talento humano nesta verdadeira arte de debater ideias e, a partir delas, transformar a realidade não apenas de um, mas de toda comunidade. Por ser humana, a política é sempre suscetível a erros, equívocos e enganos. Por isso, é importante sempre se dizer a verdade, principalmente quando vemos que ela está encoberta por um véu de conveniências.

O Senador Hélio Costa e o Deputado Federal José Fernando Aparecido têm falado algumas coisas com as quais eu não posso concordar. Imputa-se uma culpa ao ex-governador Aécio Neves e ao atual governador de Minas, Antonio Anastasia, que eles não têm, haja vista que tentam confundir o eleitor, trazendo temas de competência do Presidente da República para Minas Gerais. Esta é uma forma de, inclusive, retirar das costas de Lula da Silva e Dilma Rousseff, a responsabilidade pelo descaso da Presidência do Brasil com o estado de Minas.

Um dos temas mais doloridos para os mineiros, e que é objeto de campanha errada é a BR-381. É sabido que rodovias federais (BR’s) são de responsabilidade e competência exclusiva do Governo Federal. Isso se dá para que não exista no Brasil a problemática encontrada em tempos atrás, na época das ferrovias, onde cada estado tinha uma medida de bitola (largura do trilho), o que impedia o pleno fluxo de mercadorias e pessoas. Portanto, a competência federal veio para corrigir essas distorções, e garantir o direito constitucional de ir e vir do brasileiro. O Governo de Minas não pode investir nesta obra, e opositores se aproveitam do desconhecimento do eleitor, para colocá-lo contra o governo constituído. Nenhum governador poderá duplicar a BR-381, e os que prometem isso ou desconhecem as competências de um governador de estado, ou julgam o eleitor um completo ignorante. Só o Presidente da República pode mandar fazer esta obra, e o Governo do Presidente Lula, com seus PAC’s e TRAC’s, em oito anos, nem olhou para a rodovia apelidada de “da morte”, e agora o faz unicamente com objetivos eleitoreiros.

Outro assunto complicado e tratado inveridicamente é o caso dos Royalties da mineração. O Deputado Federal José Fernando tem mania de compará-lo aos Royalties do petróleo, e o Senador Hélio Costa o chama de irrisório. Nisso, Hélio tem razão, é verdade que o preço cobrado pela extração do minério de Minas é pouco. Mas o Senador, e o Deputado acima citado também, se esquecem de informar ao povo que esta é outra área de competência federal. O pior de tudo isso é que os dois tem o poder de atuar no parlamento brasileiro, e nada fizeram nos últimos anos para pressionar o Presidente Lula, de quem são aliados, a rever o preço dos royalties da mineração.

O Senador Costa, vale dizer, deixou sua cadeira no Senado nas mãos do suplente Wellington Salgado, que, talvez por não ter o compromisso do voto, e a pressão dos mineiros que confiaram o cargo ao Senador Costa, e não a ele, nunca esboçou qualquer reação em nome de Minas Gerais sobre o Palácio do Planalto. Inclusive enquanto esteve à frente de uma cadeira no parlamento, o Senador Costa, nunca se pronunciou veementemente por uma revisão da lei Kandir, que ele votou quando era Deputado Federal, e que ele usa muito em seus discursos contra o governo de Aécio Neves e Antonio Anastasia. Ora, quem precisava brigar pela revisão na lei, que prejudicou muito Minas Gerais, são os parlamentares em nível nacional – Deputados Federais e Senadores da República – E Minas possui 56 deles atuando lá no congresso.

Debater ideias é uma coisa boa e necessária. Mas é preciso ser honesto quando se transmite dados, e se critica este ou aquele problema que o poder público não conseguiu alcançar. A política nada mais é que um debate. Por isso é uma arte, pois trata-se de pessoas convencendo pessoas, negociando com pessoas, e trabalhando em prol das vidas e dos direitos das pessoas. Enganar, ou distorcer fatos não é legal, nem moral. Mentiras têm perna curta, e, na hora que o povo fica sabendo das coisas, a credibilidade de quem tentou ludibriá-lo fica irremediavelmente abalada. Vamos debater, sim, mas sejamos honestos com nossos adversários, e, principalmente com o povo, que é quem mais importa dentro da política.

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