Brasil Amazônico: O desafio é a integração logística com o país

Publicado: 08/12/2009 em Política Nacional
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Olá amigos. Hoje eu li no jornal Valor Econômico uma matéria muito interessante sobre o problema logístico do estado do Amazonas, que embora tenha a importante zona franca de Manaus, encontra sérias dificuldades em se integrar com o resto do Brasil. Estradas precárias prejudicam o escoamento da produção amazonica, dando como alternativa apenas os caros aviões, ou o transporte por meio dos muitos rios que cortam aquela região. Um problema urgente, que esbarra na questão da preservação ambiental.

Segue o texto:

O Desafio é a integração logística com o país

A economia do Amazonas se desenvolve especialmente pela força do Polo Industrial de Manaus, detentor de vantagens fiscais garantidas em leis que vigoram até 2023. Mas o governo do Estado está preocupado em diversificar as fontes de atividades. Por isso, investe pesado em infraestrutura e logística para possibilitar a integração do Estado do Amazonas com outras regiões do país e atrair investimentos nacionais e internacionais para projetos mais diversificados.

“O grande problema da Amazônia é de infraestrutura e logística, acentuado pela distância da Amazônia dos principais centros consumidores. O ponto principal é transporte e dentro do transporte temos alguns investimentos, privados e públicos, voltados a melhoria e aumento da produtividade da nossa economia”, conta Denis Minev, secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Econômico.

Um desses projetos é a construção de um novo aeroporto em Manaus. A capital amazonense tem hoje um aeroporto que é considerado o segundo do país em volume de cargas, com capacidade para processar até 12 mil toneladas por mês. “Um novo aeroporto viabilizaria a centralização em Manaus do tráfego de cargas e de passageiros para toda a parte norte da América Latina. Queremos ser o entreposto que centraliza o curso de transporte do Norte do país, parte do Nordeste e Centro-Oeste para o exterior e em alguns casos da própria America Latina”, comenta o secretário. Por isso, os investimentos em um novo aeroporto são fundamentais, indica. O projeto está estimado em R$ 590 milhões para um terminal amplo com mais fingers para receber mais aeronaves, e os recursos serão oriundos da Infraero, que já está trabalhando no plano básico para depois abrir licitação.

Outro projeto de investimentos estruturais diz respeito aos portos. A Amazônia tem atualmente dois portos de cargas e a ideia é construir um terceiro bem maior. O projeto de construção do Porto das Margens, localizado na margem esquerda do rio Negro, será executado pela Log-In Logística Intermodal S.A, empresa da Vale , e envolverá investimentos estimados em R$ 150 milhões. “Temos cerca de 40 portos no interior do Estado, de pequena escala, localizados à beira dos rios. Todos os municípios do Amazonas têm como principal elemento de transporte, de passageiros e de carga, o meio fluvial. Pouca coisa é exportada via aérea ou por rodovias. Não temos conexão rodoviária. Essa é uma grande deficiência que pretendemos superar com um porto de maior porte”, diz Minev.

Para melhorar a integração de Manaus com o interior do Estado, o governo aposta também na construção da ponte do rio Negro, ligando a capital à cidade de Iranduba. Terá 3.505 metros de comprimento, quatro faixas de tráfego, uma torre central com 182 metros, equivalente a um prédio de 60 andares, permitindo o tráfego de transatlântico e navios de grande porte sob a ponte. O investimento previsto é de R$ 600 milhões e a obra já está em andamento.

O maior investimento em infraestrutura, no entanto, é o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), anterior ao PAC, que conta com cerca de R$ 800 milhões, proveniente da Caixa Econômica Federal. Pelo menos R$ 500 milhões já foram desembolsados na construção de 150 mil metros quadrados de parques residenciais, com um total de 1.956 unidades habitacionais de 54 metros quadrados de área construída. Aproximadamente nove mil famílias já foram beneficiadas, segundo o secretário do Planejamento.

“É um projeto social e ambiental, que visa sanear as dezenas de igarapés que cortam Manaus, áreas povoadas de palafitas”, destaca Minev. “Tiramos a população dessas palafitas e as colocamos em novas áreas. Abrimos vias de movimentação urbana, construímos parques e uma infraestrutura de lazer, reduzindo com isso, dramaticamente, os índices de hepatite, que eram bem altos em Manaus”, afirma.

Comunicação, igualmente, é uma preocupação central na estratégia de obras estruturais do governo do Amazonas, de acordo com Minev. Atualmente, o Amazonas está conectado à internet por meio de uma única fibra óptica, além de conexões por satélite. Até 2010, no entanto, deverá entrar em operação uma segunda linha de fibra óptica, que está sendo construída pela Oi, a partir da Venezuela, e em 2011, o Estado ganha mais uma conexão, através do Linhão de Tucuruí-Macapá-Manaus, em processo de licitação.

O investimento da Oi é de aproximadamente R$ 100 milhões, enquanto os investimentos no sistema do Linhão de Tucuruí estão estimados em R$ 27 milhões. “A conexão que vem da Venezuela já está em Boa Vista, devendo chegar a Manaus em seis meses. Com isso, teremos maior velocidade e melhor qualidade de serviços de acesso à internet”, diz o secretário.

Mas os projetos mais atrativos para novos investimentos, de acordo com Minev, ficam por conta dos preparativos para a Copa de 2014, onde Manaus se destaca como uma das subsedes. Estudos elaborados por consultorias indicam que os investimentos no Projeto Manaus Copa 2014 serão da ordem de R$ 6 bilhões. São valores que ainda dependem de confirmação oficial, mas só na parte de mobilidade urbana o governo estadual prevê a aplicação de cerca de R$ 1 bilhão, parte de recursos do setor público e parte do setor privado. Só no estádio Vivaldo Lima, em Manaus, que praticamente será demolido para dar lugar a uma estrutura mais moderna, as estimativas são de gastos em torno de R$ 450 milhões. “Essas obras serão um marco para uma nova área do centro da cidade”, diz o secretário.

(Fonte: Valor Econômico/Genilson Cezar, para o Valor, de Manaus)

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