Neste último fim de semana de Novembro, um novo escândalo, com sabor de um passado triste e recente da história do Brasil, voltou a agitar os bastidores da política. O Governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal (onde está Brasília, a capital do Brasil) apareceu no noticiário nacional denunciado por um suposto esquema de pagamento de mesadas aos Deputados Distritais (equivalentes ao cargo de Deputado Estadual nos estados brasileiros). Logo nos vêm à mente um dos casos mais escabrosos da história da nova república brasileira (desde 1985): O mensalão, denunciado pelo então Deputado Federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), em 2005. Este dito “mensalão” federal custou os mandatos de Roberto Jefferson e José Dirceu (PT-SP), apontado pelo deputado fluminense como o mentor do esquema.

Logo o PT ficou louco para conseguir alguma coisa parecida, que ligasse os partidos de oposição (PSDB e DEM) ao escândalo. Primeiro tentaram ligar o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a um esquema de propinas ocorrido em 1997, por ocasião da votação da emenda da reeleição, que deu a FHC a oportunidade de derrotar Lula da Silva pela segunda vez, em 1998. Como não deu certo, pois essa acusação nunca procedeu, visto que não existem provas, o Partido dos Trabalhadores se viu em maus lençóis, por não encontrar algo tão contundente que explicasse o primeiro rasgo que o PT faria em sua maior bandeira pré-governo: A ética.

Então surgiu um fato ocorrido na campanha do então Governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, em sua campanha pela reeleição, em 1998. Embora se tratasse de uma coisa diferente do mensalão petista, pois a denúncia é de caixa-dois, e não de pagamento sistemático a parlamentares, o PT tentou se reabilitar de seu maior pecado, dizendo que os tucanos teriam feito exatamente a mesma coisa em Minas Gerais. Mais uma vez não colou. Apesar de estar sendo analisado também pelo STF, o caso Azeredo é muito diferente e a culpabilidade do ex-governador é muito contestada, sendo que o único documento que ligaria diretamente Azeredo ao esquema, ao que tudo indica, é falso.

Agora surgem nos jornais conversas estranhíssimas do Governado Arruda com seu Secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, ao que parece, lembra muito o caso implantado pelo PT na Câmara dos Deputados, durante o primeiro governo do Presidente Lula da Silva. Segundo o próprio Durval, que denunciou o esquema, isso estaria ocorrendo desde o governo do ex-governador Joaquim Roriz, recém filiado ao PSC, que era um dos maiores “caciques” do PMDB.

Em um outro vídeo, segundo a Polícia Federal, o mesmo Durval Barbosa aparece entregando dinheiro ao Deputado Distrital Júnior Brunelli, a mando do Governador Arruda. Barbosa teria falado ao Deputado, ainda, que seu recebimento mensal já viria desde Dezembro de 2002, no fim do terceiro mandato de Joaquim Roriz como Governador (ele governou o DF por quatro vezes). Durval Barbosa diz, ainda, que Arruda teria o mandado entregar as seguintes quantias a cada um dos Deputados listados: Leonardo Prudente (R$ 50 mil), Eurides Brito (R$ 30 mil), Junior Brunelli (R$ 30 mil), Odilon Ayres (R$ 30 mil), Fábio Simão (R$ 30 mil) e Benício Tavares (R$ 30 mil).

É certo que a política não é, nem de perto, o que se apresenta no Brasil. Por aqui, a politicagem tomou conta do ambiente político de tal modo, que é realmente complicado dizer com certeza que tal pessoa não pertence ao “grupo podre”. E isso acontece em todos os segmentos da nossa sociedade. Tudo está contaminado. O mais incrível de tudo isso é que o país continua crescendo, mesmo com o famoso “jeitinho brasileiro” que existe em absolutamente todos os lugares no Brasil.

A mídia tem sua culpa nisso, quando dá maior visibilidade ao lado podre da política (que deve ser mostrado sim, para ser defenestrado, que é o que não acontece), e muito menos aos bons políticos, gente que trabalha com seriedade. Daí fica fácil jogar todos no mesmo barco. E quando se fala das coisas boas que os políticos têm feito, como no caso do atual governo de Minas Gerais, além de outros exemplos dentro do Congresso Nacional mesmo, logo o noticiante é taxado de servidor dos interesses do político, e a imprensa que veicula a notícia de amordaçada.

Enfim, infelizmente, esse é o Brasil que ganhou o direito de sediar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, que tenta mediar o conflito na Palestina, que quer um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Enquanto a política não dominar a politicagem novamente, nada desses feitos internacionais valerá a pena, pois, de que adianta ser bem visto de fora, quando por dentro tudo é podre?

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comentários
  1. Guará Matos disse:

    Lhe convido para ler as duas publicações que edito:

    ->JORNAL AFOGANDO O GANSO/ http://afogandooganso.blogspot.com – Jornalístico, informativo, sarcástico, debochado, verdadeiro e interativo.

    -> RIO ENTERTAINMENT/ http://jafogandooganso.wordpress.com – Um espaço dedicado ao Rio de Janeiro, com seu lazer, cultura, turismo e entretenimento.
    Leia e vamos interagir…
    Grato.

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