Bom, há um ano eu comecei a escrever minhas opiniões sobre política neste blog. Nasceu de uma grande vontade que eu tinha de expressar com palavras o que vejo acontecer nessa área essencial para a vida em sociedade. Aqui, estou colocando, novamente, o primeiro texto que escrevi para este blog. Passado um ano, o Governo do Brasil ainda não despertou para a noção de que política populista não trás desenvolvimento, mas o atraso para toda uma nação. 2010 será o ano ideal para mudarmos nosso país, para que tenhamos um sólido modelo de desenvolvimento, que venha para congregar, e não segregar os brasileiros.

Segue o texto:

– Eu quero ser político!

 Quantas pessoas você já ouviu dizer isso? Não muitas, tenho certeza. Pois é, política não é coisa para qualquer pessoa. Exije tempo e dedicação, senão não produz bons frutos. Ser político é uma arte, é um dom, e como todo e qualquer dom, não é qualquer pessoa que possui. Quem decide seguir a carreira política deve ter em mente que está deixando a própria vida para cuidar da vida de milhões de pessoas que necessitam de um líder, de alguém que os conduza no caminho certo.

Para ser um bom político, mais que ter um carisma, é necessário que o homem possua uma vasta cultura, e que tenha uma grande percepção da vida cotidiana da população onde vive. O problema é que muita gente não compreende isso, o que faz com que a vida pública esteja repleta de pessoas não-aptas para exercer uma função política. Está ali somente para poder ganhar dinheiro, não importando o que tenha que fazer para isso.

Isto gera a corrupção e o clientelismo. Estas são apenas duas formas de má utilização do erário público causadas em grande parte por pessoas inaptas e ávidas apenas por dinheiro. Outro importante problema pelo qual atravessamos é a questão do tráfico de influência, que contamina o poder público, quando se usa de informações privilegiadas para se obter vantagens econômicas. Isso sem contar as pessoas desqualificadas para cargos de confiança, que provoca o inchamento da máquina publica e torna o Estado ineficiente, apenas para poder agradar padrinhos políticos, uma praga difícil de combater no Brasil.

O Brasil e a América Latina sofrem muito com este problema dos políticos inaptos desde suas independências. No Brasil, poucos foram os homens públicos que detiveram as qualificações essenciais para a política. O que predomina por essas bandas é o famoso “jeitinho brasileiro”, onde a honestidade vira artigo de luxo e o esperto sempre consegue escapar da punição exemplar. Daí surge o que chamamos de “sentimento de impunidade”.

Pedro II (1840-89), Campos Salles (1898-1902), Rodrigues Alves (1902-06), Affonso Pena (1906-09), Getúlio Vargas (1930-45/1951-54), Juscelino Kubitschek (1956-61), Tancredo Neves (1985), Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Esses são apenas os nomes de políticos aptos que exerceram o poder máximo do país. Há ainda outros que viveram suas vidas em prol de suas comunidades e do próprio Brasil, mas que não chegaram à presidência: Visconde do Rio Branco, Barão do Rio Branco, Visconde de Mauá, Rui Barbosa, José Maria Alkimin, Ulysses Guimarães.

O que podemos perguntar é: Porque qualquer pessoa pode se candidatar a um cargo público, mesmo sem ter nenhum preparo para desempenhar tal função? A resposta está na democracia. Apesar de ser um dos melhores sistemas sociais do mundo, este conjunto de modos políticos de agir apresenta falhas, porque foi criado por humanos que tem inato em si o gosto pelo poder. O modelo democrático ajuda as corporações a perpetuarem seu poder, mantendo uma bela cortina de fumaça, com marionetes atuando no mundo político. Estas marionetes existem justamente porque não há restrição alguma para adentrar-se na política, e qualquer pessoa com um pouco do dinheiro destas corporações, e um jeito carismático e agregador, conseguem chegar ao poder, seja ele o executivo, o legislativo e o judiciário.

Destes três poderes, o mais importante é o legislativo, pois são os legisladores que propõem e votam leis que afetam os rumos de toda uma nação. Colocar pessoas incapazes neste poder é o primeiro passo para dominar a política de um país. O próximo passo será acabar com a credibilidade deste poder, fazendo com que o povo passe a não acreditar mais naqueles homens e mulheres que lá estão. Em um país sério, este povo se vira contra seus representantes. No Brasil, tudo vira pauta para programas humorísticos.

Com um legislativo jogado ao chão da descrença, fica fácil arrumar um homem boa-praça, que sirva aos interesses destas corporações, pois este homem certamente ficará deslumbrado com o poder, e fará de tudo para continuar nele. Aí fica fácil corrompe-lo. Assim como é fácil este homem e sua “equipe” dominarem o poder legislativo, pois ali estão pessoas que não sabem o que fazem, o que facilita na hora de se fazer um lobby (ou corromper) esses políticos, pois o que lhes interessa é o dinheiro no frigir dos ovos, e dinheiro é o que essas corporações mais tem.

Então seria melhor se fossemos governados pelo poder judiciário? Se analisarmos que os ministros do Supremo Tribunal Federal chegaram lá depois de uma carreira consolidada, guiada pela moral e pela ética, a resposta seria SIM. Porém, alguém sabe como é escolhido um ministro do STF? Exatamente por indicação do Presidente da República. Se o judiciário virar um poder visado como alternativo ao legislativo, não demoraria muito e teríamos qualquer advogadozinho chegando rapidamente ao maior posto jurídico do país. Então, a resposta é NÃO.

O fato que colabora para o erro não é sermos governados pelo sistema presidencialista, ou pelo parlamentarismo. O erro está no mesmo lugar: Quem elege. Isso mesmo. Só existem políticos do nível que vemos hoje, porque a população não sabe como escolher sua representação. Daí fica fácil manobrar toda essa massa que ignora a política e eleger um candidato qualquer. O candidato que vai fazer o que o dono do poder (dinheiro) mandar. O problema está em você que vota em qualquer um, porque acha que “todos são iguais”. Este pensamento é que facilita a vida de quem precisa de políticos de baixo nível no poder, pois é muito mais fácil se perpetuar no poder invisível que o dinheiro e o status social proporcionam.

Portanto, aquela velha conversa de que político é tudo igual, é na verdade um grande embuste para enganar quem elege, e colocar no poder pessoas incapazes de desempenhar a função para a qual foi eleito. Escolher não é uma tarefa fácil, mas, sem sombra de duvidas, político não é tudo “farinha do mesmo saco”, mesmo porque, se o fosse, não haveria necessidade de haver uma eleição onerosa, pois qualquer um serviria. Não seria, deste modo, necessário consultar ninguém sobre quem é o melhor nome para comandar os rumos da sua cidade, do seu estado, ou até mesmo do seu país.

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comentários
  1. Tiago Paulo disse:

    Até concordo que deixar qq se candidatar pode não dar certo, mas como saberemos quem tem ou nao tem condições de governar?

    Não existe modelo de Política ideial. o que é decepcionante.

  2. wanderson disse:

    Ainda não entendi, é mais fácil ser eleito por partidos pequenos ou grandes?
    Se observarmos pelo quociente, acho que em partidos grandes é mais fácil, porém existem aqueles candidatos mais conhecidos e já apadrinhados.
    Então porque muitos estão migrando para partidos pequenos? Como PV, PC do B, PT do B…etc.?
    É meio complicado entender isso.

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