O terrorista italiano e seus companheiros brasileiros

Publicado: 26/01/2009 em Política Internacional, Política Nacional
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O artigo 4º da Constituição brasileira de 1988 diz o seguinte:

“A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

(…)

VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo.”

 

O Sr. Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no cargo desde 1º de Janeiro de 2003, assinou em 1988 esta constituição. Seu nome está lá. Como um homem que lutou tanto para que os governos que o antecederam cumprissem a constituição pode passar, hoje, por cima desta mesma constituição para agradar seu ministro da Justiça, que, num rompante de solidariedade, decidiu salvar a pele do amiguinho terrorista europeu?

 

É um verdadeiro absurdo o que está acontecendo no Brasil hoje. Para “carimbar” a trapalhada de seu ministro, o presidente brasileiro conseguiu fazer pior o que já era ruim, enviando uma carta ao Presidente Giorgio Napolitano, da Itália (país que reivindica a extradição do terrorista), dizendo que “respeita a justiça italiana”, mas que a concessão de refúgio HUMANITÁRIO a um terrorista condenado foi “um ato de soberania do Estado Brasileiro”.

 

Bom, vamos por partes: a) Só o fato do grandioso Presidente Lula da Silva ter mencionado respeito à justiça italiana depois de contrariá-la abrigando o terrorista é suficiente para a Itália chamar o seu embaixador de volta à Roma. Isso é de uma falta de noção que beira ao vexatório. E vexatório para nós, brasileiros, que, ao nos calarmos diante desse absurdo, indicamos estar de acordo com os atos tresloucados do nosso presidente; b) É muito fácil se esconder atrás do princípio da soberania para justificar o injustificável. É o direito exclusivo de uma autoridade suprema sobre uma área geográfica, grupo de pessoas, ou o self de um indivíduo. A soberania sobre uma nação é geralmente atributo de um governo ou de outra agência de controle política; apesar de que existem casos em que esta soberania é atribuída a um indivíduo (como na monarquia, na qual o líder é chamado genericamente de soberano). Criado por Jean Bodin e melhorado por Jean-Jacques Rousseau, A partir do século XIX foi elaborado um conceito jurídico de soberania, segundo o qual esta não pertence a nenhuma autoridade particular, mas ao Estado enquanto pessoa jurídica. A noção jurídica de soberania orienta as relações entre Estados e enfatiza a necessidade de legitimação do poder político pela lei.

 

Este é mais um absurdo para a coleção de absurdos do Presidente Lula da Silva. A concessão de refúgio humanitário ao terrorista italiano Cesare Battisti é mais um dos tantos desmandos do governo do Brasil, para o qual os brasileiros se mantém imóveis, talvez calados pelo famigerado bolsa-familia, que, ao invés de ensinar o povo a pescar, lhe entrega o peixe prontinho. Deste jeito, é mais fácil manter este povo sob o seu domínio, e fazer o que quer, inclusive abalar uma tradicional relação com um país membro da importante união européia.

 

Lula da Silva abala uma relação com um país tradicionalmente ligado ao Brasil e permite, além da estapafúrdia idéia de proteger um terrorista, uma visibilidade para a disputa interna dentro de seu partido, o PT, com vistas à eleição de 2010. Com essa decisão, Tarso Genro ganhou visibilidade para tentar barrar a forte ascendência da favorita do presidente brasileiro para sucedê-lo: A Sra. Dilma Rousseff. A Ministra da casa civil fez plástica, emagreceu, e está prontinha para cair na estrada e ganhar corpo de candidata, blindada pelo Presidente da República, nadando em sua popularidade.

 

Genro chega para criar um contraponto dentro do PT a Dilma Rousseff. Se fosse só por isso já seria um absurdo. Porém, digo que isso vai muito mais além. Ao manter ua pseudo-disputa entre seus ministros para ver quem terá o direito de tentar sucedê-lo, o Presidente Lula da Silva mantém a imprensa e o povo longe do problema maior do Brasil e do mundo como um todo: O baque que a economia brasileira está sofrendo com a famosa crise financeira internacional.

 

O mês de dezembro foi péssimo. O desemprego atingiu um recorde. Só no último mês de 2008, foram 654.946 brasileiros que perderam seus empregos por causa das dificuldades financeiras que o governo Lula da Silva insiste em esconder. No comércio exterior, em janeiro de 2009, 255 navios saíram das rotas comerciais, o equivalente a 675.000 containers de 20 pés a menos nos negócios internacionais. E a tendência para os próximos meses é que este número aumente. O grandioso e incrível PAC segue se arrastando, pois o governo (esse governo) não tem a capacidade de investir na infra-estrutura do país e combater a crise econômica ao mesmo tempo. Mas o assunto do momento é o refúgio do terrorista italiano.

 

Por isso é que ficamos sem saber onde vamos parar com as coisas neste ritmo. Deste jeito Lula vai acabar pescando com seu amigo e guru George W. Bush mesmo.

 

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